1º Encontro da rede Periferia Viva

O encontro reuniu as lideranças das iniciativas cadastradas na plataforma do Periferia Viva e a equipe do projeto em torno do debate sobre os desafios e possibilidades futuros para o trabalho da rede recém constituída.

  • Data: 20 de julho de 2020
  • Categoria(s): Tá dando certo

Para lidar com as consequências oriundas da pandemia do novo coronavírus, diante da ausência de políticas públicas que contemplem as populações periféricas, é imprescindível a articulação de diversos atores em uma rede de solidariedade que garanta as necessidades básicas das famílias.

É nesse cenário que atua o Periferia Viva desde abril desse ano. o Periferia é uma força-tarefa criada para dar visibilidade e articular apoios e parcerias aos esforços já em curso de mobilização social e vigilância civil protagonizados por pessoas da periferia, para o enfrentamento à pandemia de Covid-19 na perspectiva da defesa do direito à vida, à dignidade e à cidadania. Para além disso, o projeto pretende conectar essas iniciativas, criando uma rede solidária que multiplique conhecimentos e esforços. Após três meses de trabalho junto às inciativas, chegou o momento de colocar todas juntas para a construção de um sentimento e de uma ação coletiva.

O 1º Encontro da Rede Periferia Viva aconteceu no dia 14 de julho, por meio de plataforma digital, e reuniu mais de 50 participantes, dentre membros da equipe do Periferia Viva e representantes das iniciativas apoiadas.

O encontro foi dividido em três momentos principais: no primeiro momento, foram apresentados os objetivos da força-tarefa, sua estruturação em quatro frentes de trabalho, as ações por elas realizadas e os desafios encontrados no processo; no segundo momento, os participantes foram divididos em grupos de discussão, a partir de quatro perguntas propositivas; por fim, foi feito o compartilhamento dessa primeira experiência de contato entre diversas iniciativas.

O troca de experiências se deu em torno da reflexão das dificuldades enfrentadas por cada iniciativa no seu trabalho de enfrentamento à pandemia, as estratégias utilizadas e lições aprendidas e as possibilidades de construção de um caminho coletivo dentro de uma rede forte e solidária.

A riqueza na diversidade

Estavam presentes iniciativas que trabalham com população em situação de rua, famílias moradoras de ocupações urbanas, vilas e favelas, população quilombola, população indígena, profissionais do sexo, crianças, pacientes com doenças crônicas. Eram iniciativas protagonizadas por entidades sociais, representações da igreja, sindicatos de classe, autônomos que resolveram fazer algo pelas vidas ao seu redor, pessoas com muita experiências em projetos sociais, pessoas com pouca experiência. Havia representantes que atuam com distribuição de marmitas, distribuição de roupas, cestas básicas, distribuição de leite, fraldas. Enfim, uma diversidade que só enriqueceu a troca.

Durante os trabalhos, foi importante enfatizar que uma rede se forma pela tecitura de vários nós, de vários pontos, e que o protagonismo de cada iniciativa é imprescindível na construção do Periferia Viva. Dessa forma, deve-se dar o devido valor à troca de experiências, ao que uma pode ensinar à outra, às oportunidades que surgem quando as dificuldades são compartilhadas por todos.

Um segundo encontro já está no horizonte do projeto, que pretende estreitar cada vez mais os laços e aproximar os nós dessa rede. Se a sua iniciativa ainda não faz parte do Periferia Viva, inscreva-se usando esse formulário.

A palavra é ESPERANÇA

O 1º Encontro da rede Periferia Viva foi marcado por muita emoção, reencontros, alinhamento em torno de uma luta comum. O representante do Coletivo Alvorada, Munish Prem, ressaltou a felicidade que estava sentindo ao ver pessoas tão jovens, que estão iniciando na caminhada dos movimentos sociais, estarem envolvidas e preocupadas com o desenvolvimento do país e a promoção dos direitos humanos. Ele agradeceu a oportunidade de reunião entre gerações de lutas e parabenizou a todos pelas iniciativas, enfatizando o quanto isso só fortalece as periferias.

Júlio, do coletivo “Eu amo a minha quebrada”, do Morro do Papagaio, também parabenizou a todos e todas, e ressaltou a importância da articulação comunitária para a proteção e promoção de direitos das quebradas. Gabriel Lopo, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, destacou a necessidade da rede atuar cobrando do poder público ações urgentes e efetivas nas periferias, pautando novas agendas e se fortalecendo.

Todos os participantes foram convidados a escreverem uma palavra que representasse o sentimento de cada um ao final desse primeiro encontro. A palavra mais escrita foi ESPERANÇA. Esperança que este seja o primeiro de muitos encontros, que seja uma possibilidade efetiva de mudança da realidade das periferias.

Matéria escrita pela voluntária Laura Pimenta


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