“A gente quer comida, diversão e arte!”

Formado a partir da união de várias iniciativas artísticas e culturais da cidade de Ribeirão das Neves, o Coletivo Balaio atua na captação de recursos para a cena cultural local e, no cenário de pandemia da Covid-19, tem desenvolvido diversas ações de mitigação dos impactos da doença na periferia.

  • Data: 14 de julho de 2020
  • Categoria(s): Tá dando certo

Criado em 2019 por um grupo de jovens do bairro Justinópolis, Ribeirão das Neves, o Coletivo Balaio une várias iniciativas artísticas e culturais da região – Centro Cultural Di Quebrada, Ocupa Curumim, Coletivo Justinópolis, dentre outros. O coletivo, formado por educadores populares, artistas, produtores culturais, ativistas e pessoas que produzem cultura, eventos e afins na cidade, tem o objetivo de formalizar uma organização da sociedade civil, para institucionalizar os processos de captação de recursos e incidir mais fortemente nas políticas públicas culturais.

Segundo um de seus fundadores, o estudante de História Tiago Henrique Lopes Viana, um dos motivos que levou à criação do Coletivo Balaio foi a necessidade de criar uma referência positiva para a juventude local e para outras iniciativas culturais da cidade, sendo um exemplo de organização e de projeto construído a muitas mãos, que produz e dá suporte para outros coletivos e fortalece iniciativas no território. A área de atuação do coletivo é a defesa dos direitos humanos, com o trabalho junto às mulheres e outras minorias no fortalecimento das comunidades e no empoderamento econômico.

Ações na pandemia

Quando a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil e começou a atingir os grandes centros e regiões metropolitanas, Tiago conta que o amigo Brunão, fundador do Centro Cultural Di Quebrada, começou a pedir e receber doações para famílias que estavam com dificuldade em suprir suas necessidades básicas. “Nisso, o Coletivo Balaio chegou junto. A gente começou, então, a captar doações, a buscar doadores. Aí vários outros parceiros e voluntários se juntaram nessa”, afirma Tiago.

Com uma forte articulação com outros movimentos locais e lideranças das comunidades, e por meio da inscrição de projetos em editais, o Coletivo foi conseguindo realizar diversas ações. Em um deles, mais especificamente uma chamada do Instituto Grito, através do projeto Rede Gerando Falcões, o Balaio foi contemplado com 550 tickets para a compra de cestas digitais por três meses. As famílias receberam um cartão carregado com R$ 100,00 por mês, dinheiro que as permitiu montarem suas cestas de acordo com suas necessidades.

Além dos tickets para as cestas, o Coletivo Balaio foi contemplado pelo edital de matchfunding Enfrente, da Benfeitoria. Por meio deste edital, todo o dinheiro que o Coletivo arrecadou pela plataforma da Benfeitoria foi triplicado, o que permitiu o atendimento de mais de 300 famílias.

“A gente escreveu um projeto pra atender 150 famílias, mas conseguimos atender mais de 300. Fizemos um projeto muito legal, na pegada da cesta digital, que foi um projeto que, muito além de entregar só a cesta básica, está fortalecendo a economia local. Pedimos para que as pessoas dessem prioridade aos comerciantes locais. Priorizamos a entrega dos cartões às mães, que são as grandes responsáveis pelos lares e são aquelas que mais vão pensar nas famílias”, afirma Tiago.

Em Ribeirão das Neves, o cenário de machismo e de violência contra a mulher é muito grande na cidade. Além disso, tem um grande número de homens que, como enfatiza Tiago, “simplesmente fazem o menino e vazam”. Por isso o Balaio deu prioridade para as mães, para fortalecer principalmente as mães solteiras e aquelas que são o pilar da casa.

Outro elemento importante desse projeto foi o empoderamento das mulheres da economia solidária, em sua maioria, artesãs que trabalham com costura, bordados, dentre outros. O Coletivo entregou para as famílias contempladas um kit de higiene, composto por máscaras confeccionadas pela economia solidária, sabão, água sanitária, além de um livro e um brinquedo. Os livros foram doados pelo Coletivo Casa dos Livros e os brinquedos foram arrecadados por amigos do Balaio. Além disso, Tiago ressalta as outras ações realizadas nesse momento de pandemia:

“A gente fez bastante coisa aqui na cidade. A gente entregou marmitex com o MST, a gente entregou muitas cestas em parceria com o Grupo Covida e com o Centro Cultural à Margem, a gente foi realizando vários e vários projetos. Também estamos participando do “Ribeirão em Defesa da Vida”, por meio do qual conseguimos levar algumas cestas com legumes e verduras para as famílias, com kits de higiene produzidos também de forma artesanal e com um conhecimento bem antigo sobre ervas curativas. A gente foi fazendo várias parcerias e fomos expandindo cada vez mais. As últimas doações recebidas foram de cobertor”.

Contatos

Para conhecer o Coletivo Balaio, acesse suas redes sociais ou entre em contato pelos telefone e e-mail colocados abaixo:

Se você deseja contribuir com essa corrente do bem, doações financeiras podem ser realizadas com os dados abaixo:

Banco Inter
Tiago Henrique Lopes Viana
CPF: 017.654.796-73
Agência: 0001
Conta corrente: 20636199

Doações em gênero são recebidas no Centro Cultural Di Quebrada: R. Cenira Gurgel de Carvalho, 137 – São João de Deus (Justinópolis), Ribeirão das Neves.

Matéria escrita pela voluntária Laura Pimenta


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