Academia Transliterária chega ao Periferia Viva

Coletivos, Coletivas e ativistas periféricos. Um retrato da vivência periférica num pré, pós e durante a pandemia. Em versos, estrofes, parágrafos. Gritos. Sussurros. Um afago. Um soco. Um comentário. Um desabafo. Artistas da Rede do Fórum das Juventudes vêm compartilhar as suas realidades no blog de notícias do Periferia Viva!

  • Data: 12 de agosto de 2020
  • Categoria(s): Pandemia Periférica

Brisa Alkimin é a autora dessa semana, na coluna Pandemia Periféria. Brisa traz simbolismos de sua própria trajetória de vida como tema central de seu trabalho. Multi artista e escritora, aborda questões raciais, sociais e afetivas, utilizando-se de elementos realistas e dramáticos para dar vida a estes signos, além de evidenciar estéticas de subculturas.

Sua escrita perpassa o corpo e aborda o erotismo e o afeto, do mesmo modo como a falta deste último. A melancolia também é um tema presente, na tentativa de que o obscuro seja visto por uma outra percepção.

Integra a Academia Transliterária e é aluna do curso básico de canto lírico do Cefart/Palácio das Artes.

Conheça mais sobre a autora em suas redes sociais: http://medium.com/@brisalkimin; @_brisadevenus

De olhos abertos, minha mente percorre
De olhos abertos, passos largos e ofegante respiração
De olhos abertos, falsa tranquilidade

Olhos abertos, nada socorre

De olhos abertos e mãos que soam
Relato de cor, retrato de inquisição e dor

Olhos me condenam, justificam na raça
Falso ideal de supremacia

Olhos de superioridade
Olhos de fardas e cassetetes
Mãos que carregam sangue, botas que carregam invasões e digitais

Olhos que desejam que eu fique calada
Olhos que dizem que os machucados fazem parte da abordagem
Olhos de sadismo, olhos coloniais, braços e mãos de capitão do mato, mente de falso justiceiro que incendeia e queima

Meus olhos dizem para levantar minha voz
Olhos que veem um século XIX em pleno XXI
Mas olhos que dizem que não irão me jogar na fogueira
Olhos em um corpo que grita e vai respirar

Olhos de estratégia e sobrevivência
Olhos de fogo, braços de luta, mãos de feitiços, mandingas e mudanças

Se justificam pela raça, me levanto por ela
Grito por ela
Olho para esse corpo e não lhe cabem mais as correntes coloniais
Não lhe cabem injustiças
Não lhe cabem olhos que ferem e privam a minha dignidade

Meus olhos são livres.

Brisa Alkimin

Conheça a Academia TransLiterária

A Academia TransLiterária é um coletivo formado por artistas majoritariamente da população Trans/Travesti, que desenvolve trabalhos nos campos da performance, teatro, literatura e música com o intuito de difundir, pesquisar e protagonizar a arte e cultura desta comunidade, também da periferia. Reafirma-se enquanto um espaço de arte e cultura, de formação, experimentação, criação e também de afetos, acolhimento e de encontros.

@academiatransliteraria


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