Afrolíricas trazem a arte transformadora da periferia

Coletivos, Coletivas e ativistas periféricos. Um retrato da vivência periférica num pré, pós e durante a pandemia. Em versos, estrofes, parágrafos. Gritos. Sussurros. Um afago. Um soco. Um comentário. Um desabafo. Artistas da Rede do Fórum das Juventudes vêm compartilhar as suas realidades no blog de notícias do Periferia Viva!

  • Data: 10 de julho de 2020
  • Categoria(s): Pandemia Periférica

A arte de hoje quem nos traz são as Afrolíricas, coletiva formada por três jovens negras, poetas marginais de Belo Horizonte – são elas Anarvore, Eliza Castro e Iza Reys. As Afrolíricas buscam a emancipação por meio da arte, acreditando sempre no poder de transformação das palavras. O Grupo faz parte do Fórum das Juventudes da Grande BH.

Jeriza

O sentido mais pleno da palavra repulsa e antipatia.
O substantivo que maior representa o sentimento de uma jovem preta
do séc XXI, pelas palavras racismo, supremacia, macho, esquerda,
vidas negras importam, pare de nós matar, feminismo
e por último
e não menos enjoativo; militância.
Só de escrever essas palavras me dá uma lombeira de preguiça, uma
vontade de silenciar e bloquear.
Você deve estar se perguntando porque a coragem de escancarar toda
essa verdade, PORQUE ninguém aguenta mais, mas sustenta toda essa
rede de que eu chamo de alienação recreativa. Primeiramente ressalto
que por razões de maior experiencia eu falo da “militância preta no
Brasil” e para explicar a afirmativa dos primeiros parágrafos eu preciso
explicar o fio da meada deste artigo que é a cultura de educação antirracista que maquia o racismo estrutural brasileiro, este termo parte de uma preocupação com o opressor e não considera a reconstrução
psicossocial dos sujeitos oprimidos, não se estruturam e nem se
organizam para tratar os traumas deixados pelos 400 anos de
escravidão africana no brasil e ainda contribui para o adoecimento
mental do povo preto.
Professores e Educadores ocupam centros para o desenvolvimento de
crianças, adolescentes e jovens e pôde-se perceber que tanto em
escolas, faculdades e Universidades em redes públicas ou privadas são
exemplos explícitos Da propagação desta política, outro exemplo seria a
campanha mundial chamada “vidas negras importam”
Não tem uma preocupação retratada em ensinar esses pretos como
suas vidas são importantes, em qual lugares? Em qual cultura? O
porquê dessa afirmativa retórica que martela na cabeça dessa grande
população que necessitam de uma reconstrução ontológica.
Militâncias de todos os tipos tornaram-se tão doentias para essas
pessoas pretas, porque se voltam unicamente para abrir suas feridas e
escancarar seus sangues para sociedade, para supra citar “Pare de nos
matar “como o dito do mestre Jorge Rasta” Não existe diálogo
entre caça e caçador”

Eu não tenho obrigação de educar racistas por que estou ocupada
suficientemente me preocupando em curar as feridas que o racismo
atravessou em mim e nos meus irmãos e irmãs, nas minhas famílias ,
na sociedade no meu psicológico. Para que minhas próximas gerações
possa se reconhecer e traçar novos caminhos com dignidade, saúde
mental, auto estima e retomarem suas coroas como guerrilheiros
Núbios e Etíopes.
Eu quero sorrir e pintar minhas divindades da natureza, poetizar os
temperos da minha comida, eu quero abraçar eu quero sorrir e aí de
quem entrar no meu caminho querendo abrir as feridas que passei
balsamo.


IZA REYS


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