Campanha de arrecadação Rede Quilombola em Ação

A comunidade de Pontinha está recebendo o apoio da Rede Quilombola da RMBH, que se organizou para criar uma campanha de arrecadação de recursos para suprir as necessidades básicas dos moradores, mas necessita de apoio para fortalecer essa ação.

  • Data: 2 de julho de 2020
  • Categoria(s): Compartilhar para multiplicar

A Covid-19 e a necessidade de isolamento social imposta pela pandemia são desafios multiplicados para as comunidades quilombolas. Elas padecem da total ausência de políticas públicas, da falta de alimentos e de atenção à saúde, além de apresentarem dificuldades no acesso aos recursos financeiros a que têm direito. Mesmo estando salvaguardadas pela legislação brasileira e por acordos internacionais, a situação quilombola ainda é vexatória e traz elementos que denotam uma condição de subcidadania.

É neste cenário que a campanha de arrecadação Rede Quilombola em Ação pretende incidir. Inicialmente, a campanha tem um objetivo mais específico de atender a demandas emergenciais do quilombo de Pontinha, localizado no município de Paraopeba-MG. Nele, mais de 350 famílias estão passando por sérias dificuldades com relação a satisfação de necessidades básicas como alimentação e saúde.


















Minhocuçu para pesca
Fonte: quilombo.wordpress.com

A principal renda dos moradores e das moradoras de Pontinha era a extração e venda de minhocuçu (animal semelhante a uma grande minhoca, utilizado como isca para pesca), que já havia sido afetada pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Com a pandemia do novo coronavírus, as vendas pioraram e, além disso, a comercialização de alguns cultivos agrícolas, artesanatos e o trabalhos sazonais nas fazendas do entorno também foram prejudicados.

Os agricultores, artesãos, comerciantes autônomos e trabalhadores rurais, que constituíam a maioria da população economicamente ativa do território, são todos informais, de modo que a falta de vínculo empregatício dificulta o acesso a determinados recursos disponibilizados pelo governo. Outros benefícios governamentais, tais como o auxílio emergencial, também tem o acesso dificultado pela precária infraestrutura do território e a falta de acesso à internet.

Diante disso, o coletivo Rede Quilombola da RMBH criou uma campanha de financiamento coletivo online e emergencial que receberá doações até o dia 9 de julho por este link. Todos os recursos arrecadados serão destinados ao atendimento de demandas por alimentação e itens de proteção, higiene e limpeza para os moradores da comunidade de Pontinha.

Comunidade de Pontinha

A comunidade quilombola de Pontinha, localizada na zona rural do município de Paraopeba, em território próximo ao município de Caetanópolis, é formada por cerca de 350 núcleos familiares e um total de aproximadamente 3.000 pessoas. A comunidade foi certificada pela Fundação Cultural Palmares em 04 de março de 2004, sendo iniciado o processo para a regularização fundiária da comunidade nesse mesmo ano pela Superintendência Regional de Minas Gerais do INCRA.

Em um relatório elaborado pelo Ministério Público Federal, para reparação dos danos sofridos pelo rompimento da barragem na Mina Córrego do Feijão, podemos encontrar um pouquinho da história do lugar, que remonta ao século XVIII, conforme veremos a seguir.

















Uma das casas da comunidade
Fonte: quilombo.wordpress.com

A origem da comunidade de Pontinha, contada pelos moradores com algumas variações sutis, está relacionada à doação ou venda, em algumas narrativas, realizada pelo padre Antônio Moreira de um pedaço de terra, “uma pontinha”, para um grupo de negros. Segundo os quilombolas de Pontinha, essa doação/venda teria ocorrido antes mesmo da abolição da escravatura, muitos dizem que “Pontinha tem mais de 300 anos”. As lideranças da comunidade afirmam que existia um documento com o registro de doação dessas terras no cartório de Santa Luzia, mas que o mesmo sofreu um incêndio e o documento se perdeu na ocasião.

Uma parte considerável dos moradores de Pontinha possui o sobrenome Moreira, herdado do padre que teria doado ou vendido as terras para os negros. Além dos negros que receberam essas terras, outros grupos vieram, em diferentes períodos, de fazendas próximas que possuíam escravos. Passaram a integrar o território quilombola, que hoje se conhece como Pontinha e que se subdivide nas localidades identificadas por suas características ambientais, pela história e pelas famílias que as habitam, quais sejam: Palhada Grande; Funda Manga; Lagoa Dourada; Lagoa da Lontra; Pontinha (centro); Vargem da Pontinha.

Vista de satélite do centro da comunidade de Pontinha
Fonte: quilombo.wordpress.com










Saiba mais sobre a história da comunidade de Pontinha.

Sobre a Rede Quilombola da RMBH

Formar uma rede de empoderamento para preservar a identidade quilombola, seus territórios e práticas a partir do protagonismo das próprias comunidades é o objetivo da Rede Quilombola da RMBH. O coletivo reúne remanescentes quilombolas urbanos e rurais da RMBH para formar uma rede de articulação identitária e de solidariedade e gerar fortalecimento e apoio mútuo entre os irmãos.

Uma das principais pautas da Rede é enfrentar a sistemática tentativa de apagamento desses povos tradicionais e, por isso, o próprio mapeamento das comunidades desse território ainda é um grande desafio. Ainda assim, a Rede já catalogou pelo menos 70 comunidades remanescentes quilombolas na RMBH. No momento, muitos desafios são enfrentados por todas e a força da coletividade é a grande aliada.

#doeRedeQuilombola ​- ​bit.ly/doeRedeQuilombola
@redequilombolarmbh

Contatos para mais informações

comunicacao.redequilombola@gmail.com
Zilma (presidente da Associação Quilombola de Pontinha) – 31 98651 7370
Renato – 31 97123 6432
Pedro Mamede – 31 99341 3816
Miriam – 31 98370 4732

Matéria escrita pela voluntária Laura Pimenta


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