Campanha Proteja a Vida prevê doação de máscaras e materiais informativos

Campanha pretende enfrentar o expressivo aumento dos casos de contágio pelo coronavírus e da vulnerabilidade de mulheres, crianças e adolescentes à violência

  • Data: 25 de junho de 2020
  • Categoria(s): Tá dando certo

O Periferia Viva, a campanha Comunidade Viva Sem Fome e o movimento Dias Melhores realizam, entre os dias 29 de junho e 1o de julho, a Campanha Proteja a Vida, no Morro do Papagaio, Morro das Pedras e Aglomerado da Serra. A campanha é voltada ao enfrentamento de graves problemas que estão sendo vivenciados pelas populações periféricas de BH: o expressivo aumento dos casos de contágio pelo coronavírus e da vulnerabilidade de mulheres, crianças e adolescentes à violência.

Sete mil máscaras de tecido e 14 mil peças informativas sobre prevenção ao coronavírus e à violência contra a mulher, a criança e o adolescente serão distribuídas nessas comunidades periféricas, que possuem grande extensão, baixo IDH e estão próximas a bairros de maior incidência de casos da Covid-19. Na linha de frente de distribuição e promoção da campanha, estão artistas, grupos e movimentos das três comunidades: Movimento Livre Eu Amo Minha Quebrada, da Associação dos Moradores do Morro do Papagaio; Associação Comunitária da Vila Santana do Cafezal (ACM-Cafezal), do Aglomerado da Serra; além da Casa Acolher / Projeto Romper e do projeto 4 Elementos, ambos do Morro das Pedras. Serão distribuídos também 750 kits e 1500 máscaras para outras 15 iniciativas que compõem a rede Periferia Viva para ampliação da campanha.

A distribuição dos kits Proteja a Vida (com máscaras e materiais informativos) será realizada através de diversas ações que esses grupos e movimentos já desenvolvem no enfrentamento à Covid-19 e na promoção de direitos em suas comunidades, proporcionando a capilarização da
campanha nessas regiões. A iniciativa também conta com o apoio da porta-voz Lana Black, cantora e compositora representante do rap e hip hop feminino da periferia de BH. Uma música da artista, feita especialmente para a campanha e produzida por Clebin Quirino, da produtora Produto Novo, será veiculada em carros de som que circularão pelos bairros durante o período de distribuição dos kits. Os dois artistas, assim como os multiplicadores da campanha nas comunidades, estão atuando
de forma voluntária.

DESAFIO

O último boletim epidemiológico da Prefeitura de Belo Horizonte (de 17 de junho de 2020) aponta um aumento de vilas infectadas por coronavírus – o número era de oito vilas, e passou para 24. Soma-se a isso o fato de que a Covid-19 gera um maior impacto em pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo o GeoSES, índice criado por pesquisadores da USP e do Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com o Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS), os fatores vão da maior suscetibilidade às doenças crônicas (as quais também estão relacionadas aos indicadores socioeconômicos) até aspectos como
acesso precário ao transporte, o que inviabiliza o deslocamento rápido em casos emergenciais.

Outro dado importante diz sobre o aumento da violência contra mulheres e crianças. O Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos acusa um aumento de 35% de denúncias no Disque Denúncia, se comparado com o mesmo período de 2019. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta um aumento de 22,2% nos casos de feminicídio nos meses de março e abril de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado.

As crianças e adolescentes também estão mais expostos à violência no contexto da pandemia. O confinamento domiciliar faz com que eles estejam sob risco ainda maior de sofrer violência física, sexual e psicológica, uma vez que são afastados de importantes atores na vigilância a casos de negligência ou do abuso, como os agentes escolares. Soma-se a isso a imensa necessidade de segurança alimentar, agravando sobremaneira a situação nas regiões periféricas.

Segundo Rafaela Lima, diretora da AIC, atender as necessidades das comunidades em situação de vulnerabilidade em um contexto de fome é um grande desafio. “O cenário é desalentador, o que nos leva a fazer o maior esforço possível para diminuir as dificuldades de quem está passando por elas”, afirma.

SOBRE O COMUNIDADE VIVA SEM FOME

O objetivo do Comunidade Viva Sem Fome é assegurar, pelo menos até dezembro de 2020, um kit mensal de alimentos básicos e itens de higiene e limpeza para cerca de 1.200 famílias da região metropolitana de BH em situação de extrema pobreza. A iniciativa depende de doações de alimentos e de recursos financeiros.

As doações de alimentos podem ser feitas via compra direta em supermercados parceiros, a partir do site www.comunidadevivasemfome.org.br. As doações em dinheiro podem ser feitas no site www.bsocial.com.br/causa/dias-melhores ou a partir da bio do Instagram @diasmelhores_mg. Por meio da iniciativa, que publica em seu site informações de transparência das doações todas as semanas, já foram destinadas mais de 30 toneladas de alimentos às famílias em maior situação de vulnerabilidade da Grande BH.


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