IMIGRANTES DO CIO DA TERRA GERAM RENDA COM LOJA VIRTUAL

Coletivo de mulheres migrantes criou loja online durante a pandemia; vaquinha, doações de cestas básicas e de máscaras auxiliam na luta pela sobrevivência das famílias em meio a distância do país de origem

  • Data: 18 de junho de 2020
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“A saudade daquilo que a gente deixou no nosso país triplica com a pandemia”. É com esse sentimento de saudade que Marinela Herrera enfrenta o isolamento social. A peruana, que mora em Belo Horizonte há quase vinte anos, é uma das 33 mulheres do Coletivo Cio da Terra, criado para apoiar as imigrantes que atualmente moram na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Elas fazem parte de um grupo muito mais numeroso. Levantamento realizado pela Polícia Federal, ao final do ano passado, mostrou que mais de 38 mil imigrantes vivem em Minas Gerais.

O Coletivo, criado em 2017, formado por mulheres autônomas, busca a efetivação dos direitos das migrantes, com a realização de aulas de Língua Portuguesa e formação sociopolítica, e ações de geração de renda, com a participação em feiras e eventos acadêmicos em universidades da capital mineira. 

Haitianas, venezuelanas, colombianas, chilenas, sírias, peruanas, congolesas. São as mais distintas e complementares nacionalidades que formam o coletivo. Mas todas, neste momento, enfrentam um desafio único: o de sobreviver, distante da própria cultura.

“São outras preocupações que somam àquilo que a gente sentia. É saber que a pandemia está em seu país de origem e não há muito o que se fazer. Simplesmente nos resguardar para que não aconteça nada com a nossa família aqui no Brasil e esperar que tudo isso passe e a gente consiga, um dia, visitar nossas famílias”, lamenta Marinela. 

Luta por direitos essenciais

Muito distante de ser apenas um pranto, o Coletivo Cio da Terra age para proteger as diversas famílias de migrantes neste momento de pandemia. Em conjunto com outros coletivos, realizou a campanha “Regularização Já”, com o objetivo de regularizar a situação de imigrantes no Brasil neste momento de pandemia. 

Marinela explica que muitos imigrantes não têm conseguido acessar o auxílio emergencial do Governo Federal não só pela dificuldade em compreender o idioma, mas também pela paralisação do processo de regularização migratória.

“Muitos imigrantes estão, por diversos motivos, de forma irregular no país. Sem a regularização, eles não possuem acesso a nenhum direito, como serviços básicos de saúde e a renda emergencial ”.

A lei brasileira de migração, assinada pelo então presidente Michel Temer, que concede aos imigrantes os mesmos direitos que os brasileiros, estabelece a hipótese de regularização de imigrantes com residência temporária mesmo após o término dos prazos legais. 

Em apoio a campanha, foi apresentado, em maio, projeto de lei 2699/2020 no Congresso para a concessão de autorização de residência para qualquer imigrante que esteja no país, mesmo para aqueles que não solicitaram ou não tiverem a regularização finalizada. A proposta ainda aguarda o despacho do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para tramitar.  

Novas formas de ação

Para além de buscar a efetivação de direitos básicos, o Coletivo percebeu a necessidade de atuar em prol das mulheres migrantes, líderes de famílias, que perderam o emprego e outra fontes de renda informais. A partir da identificação direta dessas mães, foi criada uma lista de famílias que precisavam de apoio. 

Por meio de parceiros, como a Comunidade Viva sem Fome, e o Periferia Viva, o Cio da Terra entregou máscaras de tecido e cestas básicas para mais de 90 famílias, entre elas moradoras da comunidade haitiana, em Contagem (MG). Com o apoio da Periferia Viva, imigrantes indicados pelo coletivo estão recebendo suporte psicológico, inclusive, com profissionais que falam os idiomas deles.

Outra iniciativa do coletivo foi a criação de uma campanha de arrecadação, (já encerrada) para o auxílio financeiro das famílias para alimentação, água, energia elétrica, gás, aluguel e outras despesas essenciais. 

Loja virtual 

As mulheres do Coletivo eram autônomas e tinham como principal fonte financeira a exposição de seus produtos em feiras realizadas em eventos acadêmicos, que foram cancelados. Com o objetivo de continuar gerando renda em meio à pandemia, foi criada uma loja virtual nas plataformas do Coletivo na internet. 

“A loja virtual serve de vitrine para nossos produtos. Também sou empreendedora e consegui vender artesanatos a partir da loja”, explica Marinela. As marcas das migrantes são apresentadas nas páginas, assim como os produtos. Mas os ganhos financeiros são pequenos, se comparados com as vendas presenciais. “A Periferia Viva está auxiliando no desenvolvimento de ações para aumentar a visibilidade da loja. O que mais ressalto dessa pandemia é essa rede de esperança”, destaca Marinela, sobre a união que é capaz de levá-la da saudade à esperança em novas possibilidades de ação.

Colabore com o Cio da Terra

Acesse a loja virtual, clique aqui. É possível adquirir máscaras, mantas e casacos andinos, bolsas de tecido, capas de livros, cadernos, colares, e até roupas pet. Não deixe de prestigiar.

Instagram: @ciodaterramigrantes

Facebook: @ciodaterramigrantes

Texto do voluntário Ives Teixeira Souza


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