Coletivo Apuama estreia a coluna Pandemia Periférica

  • Data: 22 de junho de 2020
  • Categoria(s): Pandemia Periférica

No foco: Coletivos, Coletivas e ativistas periféricos. Um retrato da vivência periférica num pré, pós e durante a pandemia. Em versos, estrofes, parágrafos. Gritos. Sussurros. Um afago. Um soco. Um comentário. Um desabafo. Artistas da Rede do Fórum das Juventudes vêm compartilhar as suas realidades na coluna Pandemia Periférica.

Na estreia, contamos com o Coletivo Apuama de Poesia e Rap, de Ibirité, Região Metropolitana de Belo Horizonte, que integra a Rede do Fórum desde 2017.

“Coletivo Apuama nasceu quando viu-se a necessidade de abranger discussões para além das lutas contra os preconceitos e desafios que muitos de nós enfrentam, e dar atenção para as feridas que as lutas causam e no processo de cicatrização das mesmas.” – Apuama

Sobre escrever eu… A escrita é algo que…

A real é que escrever é fácil, mas o papo é diferente quando é sobre escrever pra evoluir, já venho dizendo há tempos que a gente escreve o que precisa ouvir.

E nem sempre a gente gosta do que escuta, nem sempre escutam o que a gente gosta e se hoje eu não quiser falar de luta? E se só hoje eu também não tiver a resposta?

Tem dias, aqui dentro faz um silêncio daqueles que gritam e é impossível não sentir, mas tem dia que aqui tá tão barulhento que eu paro e quase não consigo ouvir.

Ando pensando no barulho que a gente faz, estamos cegos! Até que ponto esse barulho é só pra agradar o ego, PRÓPRIO ou até mesmo que seja alheio. Distorcemos pelo que se luta sem perceber que isso tá feio.

Somos recipientes pela metade, e se nós enchermos um do outro acredito que transbordamos, mas o egoísmo que alimentamos nos faz pensar que estaríamos vazios. Então cada um se enche sozinho.

De fato não entendemos. Eu me pergunto se algum dia a gente vai e se algum dia a gente for… Então eu vou ficar em casa. Felicidade de quem sai do ninho é ver geral batendo asa.

Então que a gente possa voar, ver do alto o chão cheio de nuvens e pisar no céu com a grama mais verde do que se possa descrever.

Entender que as nossas crianças nascem melhores do que o mundo é. Então, sim! Dá pra fazer melhor, olhando dentro si, indo além do próprio “Eu” é possível alcançar um lugar ao Sol.

Mas voltando ao começo do texto, difícil mesmo é viver poesia! escrever é fácil, poeta sonha, pensa e sempre escreve sobre utopias.


J.P. – Coletivo Apuama

Tô escrevendo versos sem nexos
Eu já tinha desistido da escrita.
Quando num café me lembrei da minha rima
Instiga
Inspira
Respira
Escreve poeta
Escreve
Até que suas palavras deixem de ser tão vazias
Não deixe que se tornem vasilhas sujas na pia.
Pra que quando o alimento vier ele tenha estadia
Moradia
Teto de sonhos, luminária de estrelas
Piso de fé, carpete de grama.
Palavras soltas e repletas de significado
Onde a liberdade comemora cada passo
Seria um salto,
Acreditar nos outros.
Mas o que me impede é não saber se meus pés encontraram repouso.
Cada post meu,
Pode alcançar um louco.
Uns loucos de vontade de me destruir
Outros loucos ao perceber que são iguais a mim.
E as pedras continuam me acertando,
Mas eu não consigo olhar pro céu e sorrir.
Desculpa, Estavam.
Planejo recomeçar a cada duas horas.
Falho sempre após 30 min.
Desisto por alguns segundos
E recomeço.
Escrevo mais um pouco sem nexo
E anexo
Um pouco de tristeza,
Um pouco de alegria
Vou admitindo que falta destreza
Pra conduzir minha vida.
Se eu tivesse um mantra hoje, todo meu
Seria: Escreve… Escreve o que ainda não se escreveu.


Gigi Reis – Coletivo Apuama

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