Coletivo Roleta Crew assume a palavra na Periferia

Coletivos, Coletivas e ativistas periféricos. Um retrato da vivência periférica num pré, pós e durante a pandemia. Em versos, estrofes, parágrafos. Gritos. Sussurros. Um afago. Um soco. Um comentário. Um desabafo. Artistas da Rede do Fórum das Juventudes vêm compartilhar as suas realidades no blog de notícias do Periferia Viva!

  • Data: 2 de julho de 2020
  • Categoria(s): Pandemia Periférica

Essa semana a palavra está com o coletivo Roleta Crew, formado por jovens artistas da periferia de Betim. O Roleta Crew é um coletivo de rap do movimento Hip Hop. Seu nome remete ao início de sua criação, quando seus fundadores, além de buscar melhorias para a cidade, tinham de pular a roleta dos ônibus para conseguirem participar de eventos na cidade. Faltava dinheiro para isso, o que impedia o grupo de colar em outros bairros e conhecer outras pessoas e culturas. Pular a roleta pode ser interpretado como uma forma de burlar as regras, mas para o grupo isso era uma forma de expressão.  O coletivo segue hoje com seus sons, eventos, batalhas de rima e tudo que envolve cultura! Além das ações de rua, o coletivo é também um grupo de rap e já gravou diversas músicas disponíveis no YouTube da Vahalla Studio. Com a palavra!

Sujo, acorrentado, tratado como indigente,
O que faz outra pessoa querer ser melhor que a gente?
Mas isso hoje em dia ainda fere, interfere,
Tem que ser muito babaca para julgar a cor da pele.

Sujo, acorrentado, tratado como indigente
O que faz outra pessoa querer ser melhor que a gente?
Mas isso hoje em dia ainda fere interfere
Tem que ser muito babaca para julgar a cor da pele.

Todo mundo sabe, nunca foi um segredo.
Por que é comemorado o dia dos negros?
Foram capturados em seu próprio país, mas fugiram para cá,
Que destino infeliz, em navios não em cima mas no fundo, amarrados e sujos como lixo. Imundos, sem condições foram bem
humilhados em piores condições.

Sujo, acorrentados, meus chegados, na chegada foi só foice e inchada na mão,
Cada dia passaram a idade na pura escuridão. Sem contrato, só existe uma proposta:
Trampa bem! Se não trampar, toma nas costas,
E pagarão direitinho sem dar desconto.

Você quer apanhar em pé ou amarrado no tronco?
Qualquer vacilo pode ser fatal. O jeito é pegar a enxada e cair para o cafezal.
Moral, e assim segue sua vida condenada para descontrair e inventamos a feijoada.

Sujo, acorrentado, tratado como indigente
O que faz outra pessoa querer ser melhor que a gente
Mas isso hoje em dia ainda fere, interfere,
Tem que ser muito babaca para julgar a cor da pele!

Sujo, acorrentado, tratado como indigente
O que faz outra pessoa querer ser melhor que a gente?
Mas isso hoje em dia ainda fere, interfere,
Tem que ser muito babaca para julgar a cor da pele!

Mas essa fase teve um tempo certo,
Até Isabel desembolar o decreto,
Mas você acha? Você tava errado. Não acabou.
Mudaram o nome de escravo para trabalhador,

Será que por ser negro não vai ter nenhum sossego?
Você vai ver a diferença lá na fila de emprego,
Se sustentar com mixaria de dinheiro.
Louro de branco é médico preto de branco é macumbeiro.
E pela cor vão nos punindo, branco correndo é atleta, preto correu tá fugindo.

Nunca titular, sempre no banco, pros Racistas nunca esquecer,
Também tem macaco branco,
Pelé rei da bola, Maicon rei do pop, Barak Obama presidente,
Até desenho: Super Shock, negros sofrem tanto mas estão sempre vencendo,
E desse passado trágico vamos nos esquecendo,
Ser julgado, condenado sempre errado, essa é a sina,

O que vale é o caráter mas julgam a melanina,
Apelidos retardados acrescentam nessa mistura.
Responda as palavras preconceito tem cura??
Não tem e se tiver eu nunca vi,
O passado e presente voltou a se repetir

Na cidade, lá na roça, apartheid ou na viela, na TV lá na Globo,
Na cela Nelson Mandela, revolta na volta para afastar da rejeição,
Frutos deste país, nossa miscigenação, preconceito, discriminação
Ruína que traduz, mas a Bíblia ninguém fala sobre a cor de Jesus,
Era Branco, era pardo, preto tenho uma esperança,

O que importa que ele nos fez a imagem e semelhança,
Tamo no rap, no rock, no som internacional,
No samba na rocha de rocha funk James Brown,
Então presta atenção, mude a mente de pós guerra,

Porque raça definida hoje é o que prospera,
Igualdade entre todos, assim vamos mais além,
Porque afinal ninguém é melhor que ninguém!

Sujo, acorrentado, tratado como indigente
O que faz outra pessoa querer ser melhor que a gente?
Mas isso hoje em dia ainda fere, interfere,
Tem que ser muito babaca para julgar a cor da pele!

Gafan

Sigam o coletivo Roleta Crew:
Instagram: @roleta_crew
Facebook: Role Crew


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