Vozes da Guaicurus transmite informação sobre pandemia e literatura para o baixo centro

Programa sonoro é iniciativa da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), em parceria com o Fundo Positivo; carro de som transmite o conteúdo pelas ruas da região

  • Data: 9 de setembro de 2020
  • Categoria(s): Tá dando certo

Desde o final de agosto, a paisagem sonora do baixo centro de Belo Horizonte ganhou novos contornos, novos traços. Não foram os sons da retomada gradual do comércio. Mas um som capaz de fazer com que as pessoas se reconhecerem como sujeitos de práticas cotidianas, que quase nunca aparecem nos registros oficiais dessa cidade que apaga o que imagina ser incompatível com sua pretensão de modernidade. 

“Vozes da Guaicurus” é a responsável por expandir esse pertencimento das pessoas que habitam a região. Em parceria com o Fundo Positivo, entidade que auxilia a gestão de instituições que trabalham para evitar a transmissão de doenças sexuais, a Associações das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig) idealizou o programa sonoro.

Construído coletivamente, a proposta da “Vozes” é ser uma ferramenta de troca de informações e de disseminação de entretenimento cultural. Duas vezes por semana um carro de som circula pela região transmitindo o programa, que também pode ser acessado pelo Spotify e Youtube. 

Quando sair de casa for inevitável 

No primeiro episódio, faz parte da seleção musical o hit, em 150 BPM, “Corona Funk”, do carioca MC Tchelinho, que manda o recado sobre o que fazer durante a pandemia de Covid-19, que ainda não acabou: “Corona tá na pista/ e eu vou ficar em casa/ Se liga aí os irmão/ e as mina da quebrada”.

Cida Vieira, presidente da Aprosmig, também participa do programa e “passa a visão” sobre os cuidados que é preciso ter nos atendimentos aos clientes. Entre eles estão trocar a roupa de cama após cada uso e colocá-la em um saco plástico fechado até a lavagem e o não compartilhamento de objetos pessoais. Para evitar o contato físico, a sugestão é realizar atendimentos virtuais, mas sem esquecer de utilizar plataformas confiáveis, que garantem a privacidade dos usuários.

“Se for preciso encontrar presencialmente, dê preferência para clientes que você já conheça e por hotéis que estejam adotando as medidas de higiene de prevenção a Covid-19”, explica Cida para as trabalhadoras sexuais ao lembrar da necessidade de realizar exames, em caso de sintomas, tanto para detectar Covid-19 quanto para doenças sexualmente transmissíveis. 

Na seção voltada para a literatura, é possível ouvir a declamação feita por Giane Cravo do poema, escrito por ela, “Lembrança eterna do primeiro beijo”, “o único nascido da paixão sentida”. 

Participe dos próximos programas 

A primeira edição do programa está disponível no Spotify e no Youtube.

Para participar das próximas edições, é possível enviar recados, poemas, sugestões musicais e de temáticas. É só entrar em contato pelo Instagram da Aspromig. 

Apoie

Durante a pandemia, a Aspromig está arrecadando doações para auxiliar trabalhadoras(es) sexuais e pessoas em situação de rua que estão passando por necessidades neste momento de isolamento social. São aceitas doações de alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal, máscaras de proteção e álcool gel 70%.

As doações podem ser feitas na rua Guaicurus, 648, Centro de BH (nos fundos do estacionamento). Em caso de qualquer dúvida, é só entrar em contato com: Cida Vieira – 31 9 9723-8325 ou Mikah – 31 9 9241-8768.

As doações podem ser feitas por meio da conta da Aprosmig:
Caixa Econômica
Ag: 0084
Cc: 53456-0
Op:013
CNPJ: 18.252-097/0001-95

Texto do voluntário Ives Teixeira Souza 


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