Evento virtual argentino sobre Juventudes e Ativismo tem participação do Fórum das Juventudes

No início de setembro, a represente do Fórum, Alga Silva, participou do “Ciclo de Conversações em Rede III – O Futuro é Agora – Juventudes e Ativismo” organizado pela Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade Nacional de Córdoba, Argentina.

  • Data: 23 de setembro de 2020
  • Categoria(s): Tá dando certo

A relação entre Brasil e Argentina muitas vezes é lembrada somente pela rivalidade no futebol. Contudo, muito além de Maradona x Pelé, Messi x Neymar, existe um forte intercâmbio sociocultural entre os países, além da estreita relação entre suas universidades. A UFMG, por exemplo, mantém relações internacionais intensas com a Universidade Nacional de Córdoba (UNC), Argentina. Todo ano, centenas de estudantes, das mais diversas áreas, realizam um rico e importante intercâmbio de experiências.

Foi dessa relação entre a UNC e a UFMG, intermediada pelo grupo de pesquisa Mobiliza, do Departamento de Comunicação Social da UFMG, que surgiu o convite para que o Fórum das Juventudes da Grande BH, representado por um de seus membros, Alga Silva, trouxesse a sua experiência junto às juventudes da periferia de BH no Ciclo de Conversas, organizado pela Faculdade de Comunicação da UNC. Mobiliza e Fórum das Juventudes são parceiros institucionais do Periferia Viva.

Ciclo de Conversações em Rede III

O “Ciclo de Conversações em Rede III – O futuro é agora” ocorreu no da 8 de setembro, às 16h e teve como tema “Juventudes e ativismos”. A conversa foi transmitida no canal do Youtube da Faculdade de Ciências da Comunicação da UNC e, além da participação da Alga, contou com Sabina Ati, documentarista ambiental, representando o México; Claiton Duarte, cacique da Aldeia Renascer de Mado – El Dorado Missiones, representando as juventudes indígenas da Argentina; e Victoria García e Priscila Agüero, representando o movimento CCC – Ser jovem no es delito, de Córdoba. A conversa foi mediada pela estudante da UNC, Oriana Simonutti.

A Vice-Decana da Faculdade de Comunicação da UNC, professora Susana Morales, responsável pela organização dos ciclos de conversa, nos contou que a ideia do evento surgiu a partir de uma necessidade identificada durante o momento pandêmico pelo qual estamos passando:

“O objetivo do ciclo de conversas online é colocar em pauta questões fundamentais para construir coletivamente as respostas necessárias neste contexto de pandemia. Evidentemente, a sociedade foi construída no passado sobre fundamentos que demonstraram suas limitações, com efeitos prejudiciais ao meio ambiente, à saúde das pessoas, ao funcionamento da democracia, à vida comunitária que respeita a diversidade cultural, política e de gênero. Por isso, é necessário aproveitar as potencialidades de certas tecnologias digitais interativas, para fomentar a conversa entre pessoas de boa vontade, para gerar alternativas de pensamento e ação que visem transformar o estado de coisas em que nos encontramos”, afirma Susana.

Segundo a Vice-Decana, fazer uma edição do ciclo de conversações abordando especificamente as questões das juventudes partiu da necessidade de se dar mais voz a esses sujeitos nesse momento de pandemia. As muitas lives que têm sido realizadas trazem como pauta questões referentes ao mundo adulto, aos dilemas e dificuldades que este público tem passado, pouco abordando as questões e os problemas da população jovem.

“Desde o início da pandemia, participamos de muitos encontros virtuais, a maioria deles com adultos que falavam de todas as coisas ruins que haviam sido feitas até agora e que levaram à pandemia. Que o mundo tem que ser reinventado em suas diferentes dimensões, a economia, o consumo, o meio ambiente, a saúde… Mas os grandes ausentes foram/são os jovens. Os jovens não falavam e não eram mencionados pelos adultos. Por isso, entendemos que é fundamental ouvi-los, saber como estão vivendo essa pandemia/quarentena, quais os problemas que vivenciam como mais urgentes, quais as expectativas que têm e como pensam que podem participar dessa reinvenção do mundo. Principalmente considerando que, do ponto de vista trabalhista, os empregos que mais se perderam no contexto da pandemia são os de grupos de jovens das populações mais vulneráveis. E isso já supõe um horizonte problemático de expectativas para eles”, nos diz Susana.

Durante o evento, os participantes abordaram diversas questões que perpassam a militância juvenil: o ativismo pela proteção do meio ambiente na Riviera Maia da Península de Yúcatan, no México, tomada pelos empreendimentos de turismo e lazer voltados para o público estrangeiro, que desconsideram o fazer da população local e não são pensados para os jovens nativos; a questão dos povos indígenas originários dos países latino americanos, principalmente na Argentina, que tem uma forte cultura de opressão espanhola; a atuação das jovens da CCC na promoção da segurança alimentar de populações periféricas de Córdoba, através do acessos aos restaurantes populares locais. O Fórum das Juventudes trouxe sua experiência no enfrentamento ao genocídio da juventude negra e a violência policial contra esses sujeitos na grande BH.

Para assistir a conversa na íntegra, acesse aqui.

A experiência brasileira

Por muitas vezes, o Brasil se posiciona de forma distante da América Latina, seja pela língua ou pelos aspectos diversos de sua colonização. Contudo, somos povos irmãos, compartilhamos de um mesmo continente, padecemos de vulnerabilidades similares, decorrentes do processo violento de dominação colonial. É de extrema importância que possamos contar com a participação brasileira em eventos latino-americanos como esse, capazes de realizar um rico intercâmbio entre as experiências, fortalecendo-as.

Alga, apesar de nos revelar que a militância política é uma missão solitária e, por vezes, cansativa, ressaltou a importância de ouvir jovens militantes de outros países, com dilemas e desafios tão próximos.

“Participar de um evento da América Latina me trouxe alguns sentimentos cruciais para um momento de quase colapso. Dentre eles, o sentimento de conexão. Talvez nós sejamos mesmo poucos com vontade e disponibilidade para a luta, mas somos poucos em cada canto do mundo. Me senti ainda muito ignorante das demandas do mundo e, como boa ignorante, feliz pela possibilidade de aprender. Por fim, me senti orgulhosa do Fórum, dos meus camaradas e até de mim mesma pela nossa luta”, nos diz Alga.

Para conhecer mais sobre o Fórum das Juventudes e a experiência relatada no evento, acesse o site.

Matéria escrita pela voluntária Laura Pimenta


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