PERIFERIA VIVA JÁ ALCANÇOU MAIS DE 100 MIL PESSOAS DA RMBH

Escuta sobre as necessidades dos projetos é o diferencial para o sucesso da rede; maioria da equipe, em todas as frentes de trabalho, é formada por voluntários

  • Data: 16 de junho de 2020
  • Categoria(s): Tá dando certo

Quando a Organização Mundial da Saúde anunciou a pandemia de Covid-19, em março, seu diretor-geral, Tedros Ghebreyesus, afirmou que o necessário a se fazer era inovar, aprender e cuidar um dos outros para minimizar os impactos decorrentes da doença. Mas esse já era o cotidiano nos territórios periféricos brasileiros, onde as pessoas estão acostumadas a construir soluções diante das mais diversas necessidades. Não seria diferente na luta contra a nova doença. 

A Associação Imagem Comunitária (AIC), que realiza, há mais de duas décadas, ações de mobilização e articulação junto a esses grupos, foi ouvi-los para entender as preocupações, as demandas e, especialmente, as ações de enfrentamento à pandemia. Começava assim a rede Periferia Viva – Força Tarefa Covid-19, aliança estratégica entre a AIC, o grupo de pesquisa Mobiliza, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Laço-Associação de Apoio Social e o Fórum das Juventudes da Grande BH. Profissionais dessas instituições e mais 25 voluntários fazem com que a rede potencialize as mais de 90 iniciativas cadastradas, ao aumentar a visibilidade e a conexão entre os projetos. Levantamento da Periferia Viva aponta que mais de 100 mil pessoas dos mais diversos territórios periféricos da RMBH foram alcançadas pela rede.

Escuta que transforma vidas

É por um processo de escuta aprofundada, feito desde março, que o Periferia consegue identificar as vulnerabilidades e dar encaminhamentos a muitas delas. Até agora, foram mais de 4.800 minutos em telefonemas com os líderes comunitários para entender as soluções e os conflitos enfrentados por eles para mitigar os efeitos da Covid-19 em seus territórios. Somente após esse processo é possível fortalecer as articulações entre os grupos e os apoiadores.

“O projeto teve um desenho inicial, mas ele vem se moldando dia a dia, porque ele se realiza a partir das necessidades levantadas junto às iniciativas e das articulações que desenhamos para atendê-las. A nossa escuta é viva e preciosa”, explica a coordenadora da Periferia Viva, Emanuela São Pedro.

Um dos exemplos da dinamicidade proporcionada pela escuta da Periferia Viva foi a criação de uma nova frente de trabalho para dar um suporte de comunicação às iniciativas cadastradas. As atividades envolvem a criação de estratégias de comunicação para mobilizar apoiadores, sensibilizar a imprensa, viabilizar meios de arrecadação de doações. São mais de 15 grupos auxiliados com a produção de materiais de divulgação e de meios de arrecadação, como criação e apoio às estratégias de engajamento em vaquinhas online. 

Para aumentar ainda mais a visibilidade das iniciativas, a rede Periferia Viva atua também nas frentes de assessoria de imprensa e produção de conteúdo. O relacionamento com a imprensa conseguiu que notícias e informações sobre a periferia fossem exibidas em mais de 15 canais de comunicação – entre rádio, televisão jornais impressos e portais de internet – com alcance não só em Belo Horizonte, mas em todo o país. 

O Instagram da rede e o blog, onde são publicadas notícias sobre as iniciativas cadastradas na plataforma, são os principais meios de divulgação de conteúdo produzidos pela própria Periferia. É enviado semanalmente um boletim com as notícias da Periferia por e-mail para mais de 300 contatos e também, pelo WhatsApp, para as mais de 90 lideranças cadastradas, que também recebem dicas sobre boas práticas de organização e comunicação do seu trabalho. 

Para além da comunicação

A escuta também permitiu o diagnóstico de outras necessidades que vão além de uma comunicação de qualidade para o alcance dos objetivos dos projetos. O agravamento da situação de insegurança alimentar foi uma das principais preocupações relatadas pelos grupos. Por meio do projeto Comunidade Viva sem Fome, também realizado pela AIC junto a outros parceiros, foram entregues mais de mil cestas básicas para projetos cadastrados na plataforma e 600 litros de leite.

O Periferia também tem atuado na articulação de algumas iniciativas com o banco de alimentos Mesa Brasil Sesc. Outra importante frente é o apoio à geração de renda, onde foi possível distribuir a grupos de mulheres costureiras uma doação de 500kg de tecido.

Outra necessidade diagnosticada na escuta foi a identificação de situações de sofrimento mental e de violações de direitos. Demandas de atendimento psicossocial foram encaminhadas para a Laço, que realiza o acompanhamento dessas pessoas com a participação gratuita e à distância de profissionais de saúde. Para auxiliar no combate às violações, o Periferia Viva encaminhou seis representações com detalhes sobre as violações, ao Ministério Público de Minas Gerais, que apura os fatos. 

“Olhar para esses resultados é ter a certeza de que estamos de fato impactando a vida das pessoas. É uma alegria imensa ver que estamos conseguindo avançar”, comemora Emanuela São Pedro.

Além de ampliar as atuais ações, o Periferia Viva, o Comunidade Viva Sem Fome e o Movimento Dias Melhores planeja para os próximos dias uma ampla campanha chamada Proteja a Vida, quando serão entregues para os moradores do Morro do Papagaio, Aglomerado da Serra e Morro das Pedras mais de 6 mil kits com máscaras de proteção e informativos sobre violência sexual infantil e violência contra mulheres. 

Mais Periferia Viva

Para conhecer mais sobre a rede Periferia Viva, as iniciativas cadastradas e inscrever novos projetos, acesse o site Periferia Viva: periferiaviva.org.br

Conheça também o Instagram @periferiaviva_ e o blog de notícias.

Texto do voluntário Ives Teixeira Souza 


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