Campanha Fraldinhas nas Vilas esclarece sobre as fraldas ecológicas e o desfralde dos bebês

Saiba quando é melhor utilizá-las, as vantagens e os problemas que podem aparecer ao longo do processo de fraldamento; campanha “Fraldinhas nas Vilas” está com financiamento coletivo aberto para a aquisição de fraldas para bebês de famílias em situação de vulnerabilidade da RMBH

  • Data: 10 de setembro de 2020
  • Categoria(s): Compartilhar para multiplicarDestaques

Você já sabe sobre a campanha Fraldinhas nas Vilas, realizada pela Periferia Viva, certo? Se ainda não conhece, clique aqui e não deixe de contribuir. Em resumo, a campanha vai beneficiar 100 famílias em situação de vulnerabilidade social da RMBH com três fraldinhas ecológicas para seus bebês. Afinal, a demanda por fraldas é grande e o dinheiro para adquirir as descartáveis é cada vez mais escasso durante a pandemia.

Esse foi o percurso da Periferia para chegar às fraldas ecológicas. O percurso do João Gama e da Darla Araujo já foi diferente: uma busca na internet fez com que eles ficassem encantados com as fraldas ecológicas antes de serem pais. Quando nasceu a filha do casal amazonense, foram vários os testes com marcas importadas e nacionais.

“Houve problema com vazamento, com ajuste de tamanhos que não funcionavam, com machucados na pele por causa de botões, com dificuldade para lavar e secar. Enfim, apanhamos muito, mas aprendemos muito também sobre as características indispensáveis para uma boa experiência de uso”, avalia João.

Situação semelhante aconteceu com a ilustradora Bruna Lubambo. “Eu não esperei o meu filho nascer para saber qual fralda ecológica se adaptaria melhor ao corpo dele. A fralda vazava muito, mas com o crescimento dele a fralda se ajustou no corpo. Então a ecológica passou a valer muito a pena, pela questão econômica e de sustentabilidade”, comenta Bruna, que defende o uso das descartáveis para momentos específicos. 

A pediatra Cleuza Teixeira ressalta que em passeios e viagens o uso das fraldas ecológicas é mais complicado, já que não é possível descartá-las, diante da possibilidade de reutilização. Mas se o plástico das fraldas descartáveis podem propiciar o surgimento de assaduras, o tecido das ecológicas diminuem consideravelmente esses riscos. 

“No calor, o contato da pele com o plástico pode propiciar o surgimento de assaduras. Um estudo científico associou o aparecimento de dermatites com o uso da fralda descartável. Além da alta de temperatura, provocada pela superfície plástica, o contato com a amônia da urina, com os micro-organismos do cocô e com as substâncias utilizadas na confecção da fralda podem causar a doença”, esclarece a pediatra.

O menor custo para o produto mais saudável 

Com o utilização das fraldas ecológicas, o aprendizado foi tamanho que os pais amazonenses resolveram levar ao conhecimento de outras famílias as vantagens da fralda ecológica, como a economia financeira em relação às descartáveis e a melhor adaptação do bebê. Mas faltava algo. João argumenta que, para ser um produto de fato prático, as fraldas precisavam de características que as fabricadas no Brasil ainda não possuíam.

“Tivemos uma ideia muita clara para o futuro. Fazer fraldas nacionais com a qualidade necessária para conquistar mais pessoas e, assim, levá-las ao grande público, popularizá-las. Com o pouco dinheiro que sobrava, em qualquer tempo que sobrava, trabalhando em outros empregos e com bebê em casa, criamos a Fraldadinhos, com o desafio de fazer as melhores fraldas ecológicas nacionais”, enfatiza o pai e empreendedor.

As fraldas ecológicas que serão entregues pela campanha da Periferia Viva “Fraldinhas nas Vilas” são da Fraldadinhos e compostas por uma capa de material flexível, respirável e impermeável e um absorvente feito de um tecido especial que podem ser lavados a mão ou em máquina de lavar, sem perder a qualidade. “Para fazer a armazenagem e a lavagem da forma mais apropriada, há um manual explicando tudo em detalhes”, conta João.

Bruna lembra que a necessidade de lavá-los aumenta a necessidade de espaço no varal, mas que nunca precisou fazer uma limpeza mais pesada para eliminar mal cheiro ou manchas. “A lavagem é super prática, além disso a economia financeira em relação às fraldas descartáveis é muito grande”, complementa. “Se a fralda descartável acaba e não tenho o dinheiro para comprar, a ecológica vai estar ali. Acaba sendo prático, o máximo que pode ser necessário fazer é lavar. Além disso, o outro filho mais novo pode utilizá-la”.

Necessidade de acolhimento

Outro proveito das fraldas ecológicas é elas possuírem tamanhos ajustáveis por botões nos níveis das pernas e da cintura. Dessa forma, a mesma fralda pode servir para bebês de 3 a 15 kg. Além disso, para evitar vazamentos, a parte da fralda que fica entre as pernas possui elásticos. Tudo isso sem apertar ou marcar os bebês. 

Como explica Cleusa Teixeira, outra vantagem é que as ecológicas permitem que os bebês saibam mais facilmente que a fralda está cheia, o que facilita o processo de desfralde, que não é entendido apenas como o início do uso de roupas íntimas após a retirada das fraldas. A pediatra esclarece que o controle dos músculos que controlam a saída de urina e de fezes é uma aquisição do desenvolvimento cognitivo e motor da criança. 

“Cada criança terá seu tempo para compreender que não precisa da ajuda das fraldas para eliminar cocô e xixi. A maioria das crianças, por volta dos dois anos de idade,  já está pronta para iniciar o desfralde. Claro que algumas podem iniciar mais precocemente, mas até os quatro anos pode ser normal usar fraldas. Por isso é importante conversar com os filhos sobre seu crescimento, sobre o uso do banheiro para fazer nossas eliminações”, revela Cleusa.

Outra dica é ensinar a usar o vaso sanitário, com as adaptações adequadas, e jamais reprimi-las por sujarem a roupa durante o período do desfralde. “Aos poucos, os pais vão perceber o momento em que a criança começa a dar sinais, como tirar a própria fralda, que está pronta para o desfralde. O importante é acolhê-los com amor e respeito nessa transição”,  comenta a médica.

Parceria

A cada valor doado para a campanha Fraldinhas nas Vilas, a empresa Fraldadinhos, do João e da Darla, vai doar a mesma quantia. João conta que desde o início da situação de pandemia de Covid-19 a empresa, situada em Campinas (SP), pensou em fazer uma doação mais ampla, mas percebeu que a iniciativa demandaria uma necessidade de articulação entre atores sociais maior.

“Quando a AIC, a partir da Periferia Viva, fez o convite, achamos bem legal a iniciativa. Não pensamos muito para qual região é a contribuição”, ressalta João, ao afirmar que a intenção da empresa de colaborar com a qualidade de vida das famílias em situação de vulnerabilidade é maior que uma preocupação mercadológica. Afinal, segundo ele, as fraldas têm potencial para ser a alternativa de quem busca o melhor para o seu bebê, não abre mão da praticidade, e ainda quer cuidar do meio ambiente.

Para quem doar a partir de 100 reais, vai ser disponibilizado, em forma de agradecimento, em formato PDF e ePub, o e-book “Olha! Olha!”. Concebido por Aline Lucena e Bruna Lubambo, o livro parte da necessidade de interação da criança por meio do olhar. “Aline é fonoaudióloga e atende crianças diagnosticadas com transtorno do espectro autista e ela mencionou sobre a importância da emoção pelo olhar para o desenvolvimento das crianças”, conta Bruna, ilustradora e autora do livro.

“Cada personagem propõe uma brincadeira diferente com o olhar entre o mediador da leitura (o adulto ou uma criança alfabetizada) e a criança pré-leitora”, explica a autora. O detalhe da ilustração, feita por colagens de recortes de papel e detalhes à lápis de cor, reforça ainda mais a relação das crianças com o mirar.

Para colaborar com a campanha Fraldinhas nas Vilas, clique aqui.

Conheça o vídeo da campanha.

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Texto do voluntário Ives Teixeira Souza 


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