Periferia Viva lança campanha para cuidar de quem sempre deu colo nas comunidades de BH

Eles foram os primeiros a construir e a liderar imensas comunidades em BH. Agora, as matriarcas e os patriarcas precisam de assistência; fraldas geriátricas e equipamentos ortopédicos podem ser doados no bairro Floresta; contribuição financeira também pode ser feita por plataforma de colaboração coletiva

  • Data: 6 de novembro de 2020
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Enfrentaram casas de adobe e de lona, as correntezas dos córregos em dias de chuva forte, a ausência de energia elétrica. E resistiram. Ou melhor, ainda resistem. Mas, pelo tempo de vida, são eles que agora precisam da retribuição do cuidado que sempre tiveram com os moradores dos territórios que ajudaram a transformar em comunidades. 

Para retribuir todo o afeto que há décadas é dispensado pelos idosos das comunidades, o Periferia Viva desenvolveu a campanha “Nossas Amálias, conforto pra quem sempre foi colo”, que homenageia dona Amália, uma das matriarcas do Morro das Pedras (BH). 

Uma grande demanda das iniciativas que compõem a rede Periferia Viva é por fraldas geriátricas, cadeiras de rodas, andadores e tapetes antiderrapantes para idosos. Nossa campanha vai recolher esses itens para doação. Eles podem ser entregues de 10 de novembro a 10 de dezembro na sede da Agência de Iniciativas Cidadãs (AIC), de 10h às 17h, às terças e quintas-feiras, na Rua David Campista, 247, bairro Floresta, Belo Horizonte. Também é possível contribuir com qualquer valor financeiro pela plataforma Benfeitoria (clique aqui).


Dona Rosária conhece o tataraneto, Miguel, pela primeira vez. Da esquerda para a direita: Dona Evangelista, Dona Rosária, Miguel e Isabela.

O valor arrecadado será destinado, exclusivamente, para a compra de fraldas geriátricas para idosos que compõem as iniciativas Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia do Estado de Minas Gerais – Dreminas (com atuação na região hospitalar) , Mães do Anel (Madre Gertrudes, regional oeste), Associação Cultural Social Desportiva dos bairros Jardim América, Nova Granada e adjacências – ACSCD (regional oeste),  Centro de Apoio e Combate ao Câncer Itapoã (Vila Clóris, regional norte) e Campanha Solidária (Vila Maria e Jardim Vitória, regional nordeste).

Afetividade necessária

Em 2015, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,73% dos moradores da capital mineira eram idosos, grupo de risco da Covid-19, doença cuja pandemia ainda mata centenas de pessoas diariamente no Brasil. 

Mas eles, que são pessoas de referência ou os chefes de família de 19,3% dos domicílios do país, ainda enfrentam outras dificuldades. Pesquisa realizada na cidade de São Paulo, publicada em 2019 por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), constatou um envelhecimento menos favorável para idosos que se afirmaram negros.

Foram eles os que mais responderam não possuírem renda o bastante para a despesa diária, quase nunca saírem para lugares públicos (64%) e nunca convidarem pessoas para irem às suas casas (42%). Mas foram eles que mais deixaram de fumar, apesar de responderem quase nunca cuidarem da própria saúde. O resultado foi uma maior prevalência de acidente vascular encefálico, diabetes e hipertensão arterial. 

A necessidade de trabalhar para a sobrevivência própria e da família até idades mais avançadas e a vida rural nos primeiros 15 anos de vida, por no mínimo cinco anos, explica o estudo

“(…) geram desvantagens para os indivíduos que moram em áreas rurais ou em periferias dos grandes centros urbanos, onde supostamente o uso de serviços de saúde e as condições sanitárias são mais desfavoráveis se comparados às das regiões urbanas centrais”. 

Citação do estudo

A campanha “Nossas Amálias” pretende retribuir os cuidados a esses idosos para que a dignidade que compõe as marcas de seus rostos sejam apenas de satisfação e felicidade pela vida construída. 

Para conhecer mais sobre a campanha, acesse o Instagram da Periferia Viva.

Texto do voluntário Ives Teixeira Souza 


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