Proteja a vida envolve comunidades de BH contra Covid-19 e violência familiar

Morro das Pedras, Morro do Papagaio e Aglomerado da Serra receberam a campanha que distribuiu kits de máscaras e materiais informativos

  • Data: 3 de julho de 2020
  • Categoria(s): Tá dando certo

A estratégia foi sensibilizar a periferia. Seja por um papo, por uma música, ou por entregas de kits com máscaras e materiais informativos. Da última segunda (29) a quarta (1), o Morro das Pedras, o Morro do Papagaio e o Aglomerado da Serra receberam a campanha “Proteja a vida”, com o objetivo de orientar os moradores sobre a vulnerabilidade de mulheres e crianças à violência e o aumento expressivo de casos de Covid-19 nesses territórios.

“O maior desafio da periferia hoje é o combate da miséria, porque ninguém consegue ficar em casa com fome”, explica Juthay Nogueira, do projeto Casa Acolher, do Morro das Pedras. No mesmo sentido, Kika Pereira, da Associação Comunitária do Morro da Vila Santana do Cafezal (ACM Cafezal), afirma que a estratégia é levar comida para as casas das pessoas. “Ao ter a comida, a situação apazigua um pouco, mas não é só isso que faz com que o isolamento social aconteça”. 

Os kits da campanha Proteja a Vida, não à toa, foram entregues nos momentos de distribuição de marmitex e cestas básicas e logo cedo, quando moradores estavam em direção ao trabalho, como os mais jovens. Para Wanderley Dias (WL), do projeto 4 elementos, do Morro das Pedras, esse grupo ainda não entendeu a necessidade de cuidar da própria vida e dos familiares.

“Estamos tentando, ao entregar os kits, conversar com o jovem, o adolescente, trocar uma ideia sobre a importância de usar a máscara, mas o diálogo com eles está muito difícil”, analisa o rapper.

Uma alternativa para atingir esse público foram as lives, como explica Daniel CF, também integrante do 4. “A live é uma estratégia de comunicação para trocar ideia sobre a pandemia, levar informação e debater com a comunidade os cuidados de prevenção’.

Também otimista, Nenzinha, moradora do bairro há mais de 40 anos, acredita que ações como o Proteja a Vida fortalecem as estratégias de proteção. “Não tem como fazer a nossa parte para todos. Eu saio apenas o necessário, mas há muita criança na rua sem usar máscara. Mas elas estão comprando a ideia”. Juthay reforça a percepção da moradora.

“Quem mora em periferia não consegue desagrupar, porque os espaços são limitados. Informação, neste momento, é crucial. Com os informativos da Proteja a Vida as pessoas podem ler e assimilar o que está acontecendo”. 


Informar é prevenir

Foram sete mil máscaras de tecido e 14 mil peças informativas sobre prevenção ao coronavírus e à violência contra a mulher, a criança e o adolescente distribuídas. A ação contou com a participação ativa de artistas, grupos e movimentos das três comunidades: Movimento Livre Eu Amo Minha Quebrada, da Associação dos Moradores do Morro do Papagaio; Associação Comunitária da Vila Santana do Cafezal (ACM-Cafezal), do Aglomerado da Serra; além da Casa Acolher / Projeto Romper e do projeto 4 Elementos, ambos do Morro das Pedras. 

Crianças, assim como as mulheres, são outro grupo social vulnerável durante a pandemia. De acordo com a Organização das Nações Unidas, em um contexto de emergência, como o atual, aumentam os riscos de violência doméstica. Com mais um agravante: as sobreviventes podem enfrentar obstáculos adicionais para romper a violência, como para acessar as redes de proteção em uma situação de restrições de serviços essenciais. 

Os canais para acessar essas redes estavam presentem nos kits da Proteja a Vida. Para Cleo, da Casa Acolher, é preciso esclarecer quais são os meios para romper as violências, ainda mais em um contexto de insegurança alimentar e necessidade de ficar em casa. “Com esse informativo, as crianças e mulheres que estão sofrendo podem saber como ter ajuda e que estamos aqui para auxiliar como for possível”.

Não apenas o informativo contra a violência familiar foi divulgado com a Proteja a Vida. A cantora e compositora Lana Black, com o produtor Clebin Quirino, fizeram o jingle da campanha, que foi divulgado nos territórios em carros e motos de som. Com versos que ressaltam a necessidade de amar a si mesma, Lana enumera exemplos de situações que demonstram o contrário de amar:

Coloque para andar a dor/ Junto com seu opressor/ Entenda como é o amor/ Amando a si mesma/ Você conseguirá lutar/ Não deixe de denunciar/ Procure uma ajuda pra se libertar/ Não é amor se não pode se arrumar/ Não é amor se não pode opinar/ Não é amor por que tem que se humilhar?/ A maquiagem não disfarça

 “Nesse período tão difícil, precisamos nos proteger da violência contra a mulher. Denuncie. Disque 180”, divulga Lana, na música. Algumas mulheres não possuem acesso nem mesmo a um telefone para tentar salvar a própria vida. Por isso, reforça Cleo, a intervenção dos vizinhos precisa acontecer, inclusive, pela denúncia anônima. “É preciso se dar conta de que não é possível se calar. O nosso apelo é que as pessoas não deixem de olhar para a periferia, principalmente enquanto durar a pandemia”, implora Kika, da ACM Cafezal. 

Ouça o jingle da campanha Proteja a Vida, de Lana Black.

Acompanhe no Instagram do Periferia Viva toda a cobertura da campanha Proteja a Vida.

Texto do voluntário Ives Teixeira Souza 


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