RELAÇÕES FAMILIARES NAS REGIÕES PERIFÉRICAS DE BH E A IMPORTÂNCIA DOS PROJETOS SOCIAIS QUE LÁ ATUAM

Organizações da sociedade civil, como o Socioeducativo Cabana e Espaço Aê, se firmam como importantes apoiadoras para as famílias de crianças periféricas, em um contexto onde o abandono parental é comum.

  • Data: 11 de setembro de 2020
  • Categoria(s): DestaquesQuarentena na periferia

A família é a primeira instituição social que temos contato e é nesse ambiente que nos desenvolvemos e construímos parte de nossa personalidade. O seu conceito vem sendo historicamente modificado e, o que já foi tido como um espaço formado por homem, mulher e seus filhos, hoje pode ser visto em diferentes configurações, importando apenas que o ambiente familiar seja um lugar de troca e afeto.

Essa troca pode ser feita entre aqueles que possuem um laço biológico, mas também pode vir daquele inicialmente distante e desconhecido. O que temos visto é a ação de organizações da sociedade civil, que cada vez mais se organizam em torno e em prol das necessidades das famílias periféricas, oferecendo apoio, serviços, carinho e segurança para crianças e adolescentes. O Socioeducativo Cabana é uma dessas organizações que atende e constrói laços com jovens. O grupo surgiu em 1991 através de uma demanda das mães da comunidade Cabana do Pai Thomás, que precisavam trabalhar e não tinham onde deixar os seus filhos.

Dessa forma, a ONG iniciou suas atividades inicialmente como creche para crianças de 0 a 5 anos, ampliando mais tarde as ações para crianças maiores e adolescentes. A ampliação foi necessária, pois muitas dessas crianças e adolescentes ficavam nas ruas e, portanto, vulneráveis à violência e à criminalidade. Atualmente, o projeto atende 217 crianças e jovens entre 6 e 16 anos com um projeto de socialização por meio de oficinas de arte, cultura, esporte, lazer e educação.

Com um trabalho parecido, o Espaço Aê também se destaca por acolher crianças e adolescentes em um espaço de criação cultural comunitária. Inicialmente, o espaço seria um estúdio de fotografia, mas logo tornou-se uma biblioteca comunitária no Bairro Aparecida (Belo Horizonte). São promovidas oficinas de dança, teatro e violino para crianças de 4 a 14 anos, além do apoio com as tarefas escolares.

Segundo uma pesquisa de 2013, do Conselho Nacional de Justiça, 5,5 milhões de crianças não tinham o nome do pai em sua certidão de nascimento. Esse número não leva em consideração as crianças que, apesar de registradas pelo pai, não possuem o suporte do mesmo. Para as crianças e adolescentes atendidos por essas organizações essa é uma realidade. Segundo Janeth Antônia da Rocha, coordenadora pedagógica do Socioeducativo Cabana, o público é extremamente vulnerável e a maioria vive como suas avós e mães, sem a figura paterna. Normalmente o pai possui vício em álcool ou outras substâncias e têm pouco ou nenhum relacionamento com os filhos. Ester Teixeira, uma das idealizadoras e gestoras do Espaço Aê, também indica que o abandono parental é comum na maioria das famílias assistidas pelo projeto.

Tanto o Socioeducativo Cabana quanto o Espaço Aê, assim como muitas ONGs espalhadas por aí, acabam se tornado uma extensão da família dessas crianças, cuidando e dando afeto, auxiliando as mães e responsáveis que precisam trabalhar. Nas palavras de Ester, o espaço comunitário é colo, afeto, liberdade, espaço de trocas e confiança. Esses espaços realizam a acolhida desses jovens de uma forma muito diferente do que é feito por alguns parentes que os abandonam. O Socioeducativo Cabana, além de acolher, também integra os familiares nas atividades da ONG, estimulando o trabalho voluntário, participação e organização de eventos, estreitando o laço familiar.

FAMÍLIA NA PANDEMIA

O novo coronavírus fez com que diversos estabelecimentos tivessem que suspender suas atividades presenciais devido ao risco de contágio. Com essas ONGs não foi diferente. Contudo, ambos os espaços seguem mantendo os laços com as famílias na forma de cuidado e prevenção ao vírus. O Espaço Aê está dando suporte para as famílias, formulando atividades e brincadeiras possíveis de serem feitas durante o período de distanciamento, e também distribuindo cestas básicas para as pessoas que estão precisando no bairro.

O Socioeducativo está atuando em várias frentes durante a pandemia: distribuição de panfletos informativos sobre a COVID-19, produtos de higiene e limpeza, confecção de máscaras pelas mães dos educandos, que são distribuídas gratuitamente para as famílias, além da distribuição de cestas básicas e alimentos. As ações dão suporte às famílias, sendo que muitas delas perderam sua fonte de renda durante a pandemia.

APOIE AS INSTITUIÇÕES

Essas instituições precisam do nosso apoio para continuar atuando junto ao público vulnerável que atendem. O Socioeducativo Cabana está recebendo doações de material de higiene e limpeza, cestas básicas, material para confecção de máscaras, material pedagógico, dentre outros. Entre em contato para combinar pelo telefone (31) 3386-1247 ou 97573- 8080 (falar com Janete), através do Facebook ou pelo email:  grupacsocial@gmail.com.

O Espaço Aê está precisando de doações de alimento não perecível, material escolar, material de construção – devido às chuvas no início do ano o espaço foi danificado e passaria por uma reforma, que foi interrompida pela pandemia -, livros infantis e infantojuvenis e doações em dinheiro. As doações podem ser entregues na Rua São Clemente nº 893 – Bairro Aparecida. Também estão recebendo doações em dinheiro:

Banco do Brasil
Agência: 3297-2
Conta corrente: 23125-8
CPF: 12481503686
Cristiane Pereira Gabriel

Conheça mais sobre o Espaço Aê no Instagram.

Matéria escrita pelo voluntário Arthur Santana


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