Rosário do Bem ajuda mais de 170 famílias a enfrentar a fome durante a pandemia

Coletivo foi criado para combater a fome das famílias das Irmandades de Nossa Senhora do Rosário de Belo Horizonte.

  • Data: 25 de maio de 2020
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Após constatarem a grave situação de restrição alimentar enfrentada pelas famílias das Irmandades de Nossa Senhora do Rosário de Belo Horizonte, durante o período da pandemia de Covid-19, Elizangela Aparecida, Aparecida Reis e Rafael Barros uniram esforços e criaram o coletivo Rosário do Bem.

“Esse coletivo nasceu nesse período de pandemia, ao identificarmos que algumas famílias das Irmandades de Reinado, que nós chamamos popularmente de congado, estavam com dificuldades e restrição alimentar. Sem comida mesmo, na lata!”, afirma Elizangela.

Inicialmente, o objetivo do Rosário do Bem era cadastrar as famílias das Irmandades no sistema de auxílio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH) para garantir a entrega de cestas básicas, material de limpeza e higiene. Para tanto, Elizangela, Aparecida e Rafael começaram um trabalho de mapeamento da situação das famílias vinculadas às mais de 40 Irmandades de BH. “Começamos com um levantamento de 70 famílias. Quando assustamos, já tinha dobrado!”, enfatiza Elizangela. No mês de abril, o coletivo chegou a atender, com precisão, 177 famílias.

O processo de mapeamento

Os três responsáveis pelo Rosário do Bem têm o cuidado de mapear, pegar os contatos de cada grupo de congado de BH e fazer a checagem das informações. Eles entram em contato com o Capitão, a pessoa líder do grupo, e solicitam que ele faça esse levantamento junto às famílias. “Então é o Capitão que fala com a gente quais as famílias estão com dificuldade”, afirma Elizangela.

As restrições da PBH

Como dito, inicialmente o coletivo pretendia mapear as famílias das Guardas de Congado para cadastrá-las no sistema da PBH para recebimento de cestas básicas. Contudo, Elizangela afirma que tiveram de buscar outras estratégias e outras fontes de arrecadação, pois o perfil de grande parte das famílias das Guardas não se enquadrava nos requisitos da Prefeitura.

Por meio da PBH, o coletivo conseguiu atender 56% das famílias cadastradas, ou seja, cerca de 100 famílias. Para as outras 77, das quais 40 estavam em situação muito grave, tiveram que contar com a colaboração de outras entidades e parceiros, motivo que também os levou ao cadastro do coletivo na plataforma do Periferia Viva.

Necessidades das Irmandades durante a pandemia

Nesse momento de pandemia, as necessidades são muitas, principalmente para aqueles que já se encontravam em situação vulnerável. Elizangela ressalta que o foco do coletivo hoje é mitigar a fome das famílias da Irmandade. A ativista relata uma fala que teve com sua parceira, Aparecida:

“Cida, tudo se resolve, mas a fome não te deixa pensar, não te deixa raciocinar, você não tem forças nem para lutar. Barriga vazia não dá certo. Vamos tentar, pelo menos, salvar o arroz e o feijão desse povo e, depois, a gente vai pensar em outras articulações. Articulações de manutenção artística, de manutenção dessas irmandades. Tá todo mundo parado, sem poder reunir para rezar, pra manter suas tradições, mas agora é pensar no pão!”

Neste primeiro momento, então, a maior necessidade das famílias é a comida, é a cesta básica. Elizangela afirma que deve buscar parcerias para verificar as questões psicológicas dos membros das Irmandades, pois acredita que tem pessoas que devam estar precisando de um apoio psicológico. Também tem a questão dos remédios para idosos e crianças, público numeroso nas Guardas. Mas esses são passos para um futuro próximo, como ela nos diz.

A importância das Irmandades para BH

Para Elizangela, falar da importância das Irmandades dentro de Belo Horizonte renderia boas horas de conversa. Todavia, um dos pontos a se destacar é a questão de ser um patrimônio imaterial, ainda que não reconhecido pela Prefeitura da cidade. No Estado de Minas Gerais, existem mais de 4 mil grupos de reinado. Em BH, temos em torno de 40, ou seja, quase 1% disso tudo. Várias cidades já têm esse reconhecimento, essa valorização, mas em Belo Horizonte nós ainda não temos uma política pública voltada para esse grupo.

Outro aspecto importante são as questões tradicionais. As Irmandades de Nossa Senhora do Rosário mantêm a parte tradicional, cultural e religiosa da cidade com seu calendário festivo. De abril até meados de novembro, são várias as festas de reinado que movimentam grande número de pessoas nos reinos existentes nos bairros Alto dos Pinheiros, Aparecida, Cabana, Gameleira, Jatobá, dentre outros. São comunidades tradicionais, algumas com mais de 80 anos mantendo seus costumes na cidade. Preservar os congados, as irmandades, os reinados é preservar o patrimônio imaterial de Belo Horizonte!

Contribua

Para participar do trabalho realizado pelo Rosário do Bem e ajudar as famílias do congado de BH, doações podem ser feitas na seguinte conta bancária:

Caixa Econômica
Agência 0081
Conta 21525-6
Operação 013
Ana Catarina Jesus Santos CPF 754.622.306-72

Matéria produzida pela voluntária Laura Pimenta


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